O mundo da televisão amanheceu mais silencioso neste sábado (28). Morreu no Rio de Janeiro, aos 78 anos, o ator e diretor Dennis Carvalho, um dos nomes mais marcantes da teledramaturgia brasileira. Ele estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, na Zona Sul, e a unidade confirmou o falecimento.
Com uma trajetória que atravessou décadas, diante das câmeras e, principalmente, nos bastidores Dennis construiu uma assinatura própria: direção firme, ritmo de estúdio e um faro raro para cena. Nos corredores da TV, era conhecido tanto pela exigência quanto pelo jeito direto de conduzir gravações, eternizando bordões que viraram parte do folclore do set.
Da atuação à direção: a virada que marcou uma era
A relação de Dennis com a televisão começou em meados dos anos 1960. Ele passou por emissoras como TV Paulista e TV Tupi antes de chegar à TV Globo, em 1975. Na emissora, foi inicialmente contratado para atuar em “Roque Santeiro”, novela cuja exibição acabou barrada pela censura na época — um capítulo emblemático da história da TV brasileira.
A virada decisiva veio em “Locomotivas” (1977), quando interpretava o personagem Netinho e teve a primeira experiência como diretor, conduzindo cenas nas semanas finais da trama. A partir dali, a carreira dupla se consolidou: ator com presença e diretor com pulso.
No seriado “Malu Mulher” (1979), ele deu vida a Pedro Henrique e aprofundou de vez a vocação pela direção. Dennis costumava comentar que aproveitava os intervalos de gravação para aprender observando de perto o trabalho técnico nos estúdios — um tipo de curiosidade profissional que, mais tarde, explicaria a precisão do seu olhar.
Obras icônicas e parceria de peso
Ao longo dos anos seguintes, Dennis Carvalho assinou a direção de algumas das produções mais emblemáticas da dramaturgia nacional. A parceria com o autor Gilberto Braga rendeu títulos que atravessaram gerações, como “Vale Tudo” (1989), “Anos Rebeldes” (1992) e “Celebridade” (2003) — obras lembradas por temas sociais e políticos e por inovações na linguagem televisiva.
Mesmo em tempos recentes, ele seguiu à frente de projetos de grande repercussão, como “Babilônia” (2015) e “Segundo Sol” (2018), além de participação em muitos outros trabalhos na Globo.
Bastidores em luto e homenagens
A notícia da morte rapidamente se espalhou e provocou uma onda de comoção no meio artístico. Profissionais que dividiram estúdios com Dennis lembram, sobretudo, a figura de um diretor que não “poupava a cena”: cobrava, puxava, lapidava — e entregava televisão com energia de palco e disciplina de relógio.
Dennis Carvalho deixa um legado que vai além de créditos na tela: ele ajudou a moldar um jeito brasileiro de fazer novela e de conduzir set, daqueles que viram referência e história contada em roda de camarim.



