Foto: Reprodução

Atriz Maria Ribeiro, de “Vidas Secas”, morre aos 102 anos em Genebra

A atriz Maria Ribeiro, lembrada por interpretar Sinhá Vitória no clássico “Vidas Secas” (1963), morreu aos 102 anos no fim de dezembro, em Genebra, na Suíça, onde vivia. A morte foi confirmada por familiares nas redes sociais e repercutiu nos dias seguintes na imprensa.

Nascida Maria Ramos da Silva, no povoado de Boqueirão, em Sento Sé (BA), ela construiu uma trajetória singular: chegou ao cinema já adulta e acabou eternizada por um dos filmes mais emblemáticos do Cinema Novo, dirigido por Nelson Pereira dos Santos. 

Do sertão para a história do cinema

“Vidas Secas”, adaptação do romance de Graciliano Ramos, projetou Maria Ribeiro nacional e internacionalmente — e a tornou uma imagem definitiva do Brasil profundo levado à tela. A personagem de Sinhá Vitória, ao lado do Fabiano vivido por Átila Iório, ajudou a consolidar o filme como referência estética e política do período. 

Filmografia e legado

Além de “Vidas Secas”, Maria Ribeiro participou de produções marcantes do cinema brasileiro, como “A Hora e a Vez de Augusto Matraga” (1965), “Os Herdeiros” (1970) e “O Amuleto de Ogum” (1974). Décadas depois, voltou a trabalhar com Nelson Pereira dos Santos em “A Terceira Margem do Rio” (1994). 

A despedida de Maria Ribeiro encerra uma vida atravessada por deslocamentos — da Bahia ao Sudeste, do Brasil à Europa — e por uma presença rara: a de quem entrou para o cinema sem trajetória de palco, mas deixou um retrato humano e inesquecível no coração do audiovisual brasileiro. 

WhatsApp
Facebook
Twitter