Foto: Reprodução

Guilherme Pendino retorna ao comando da Band

A Band confirmou o retorno de Guillermo Pendino a uma posição central na condução editorial e administrativa da emissora, num movimento que marca o início de uma nova etapa de reorganização interna e reposicionamento estratégico para 2026. O executivo argentino volta ao comando depois de um período de projeção internacional à frente da Telefe, em Buenos Aires, onde acumulou resultados de audiência e consolidou a emissora como liderança no mercado local, desempenho que teria pesado na decisão da cúpula da Band de convocá-lo novamente para um momento decisivo.

A mudança acontece em um contexto delicado para o canal, que nos últimos anos viu sua grade perder nomes de alto impacto e, ao mesmo tempo, sentiu o efeito da redução de ativos tradicionais, especialmente no esporte, área que historicamente ajudou a construir identidade, presença e competitividade na TV aberta. O cenário, somado à fragmentação crescente do público e à concorrência direta das plataformas digitais, tornou mais urgente a necessidade de redefinir prioridades, reorganizar estruturas e retomar relevância com uma estratégia de programação capaz de conversar com diferentes perfis de audiência.

Não é a primeira vez que Pendino é chamado para conduzir uma virada. Em 2018, ele já havia ocupado papel semelhante e foi um dos articuladores de uma guinada que buscava diminuir a dependência do conteúdo esportivo e ampliar a vocação da emissora para formatos de apelo mais amplo. Naquele período, defendeu publicamente a ideia de uma Band mais voltada ao consumo familiar, com atrações que equilibrassem informação, entretenimento e linguagem acessível, proposta que passou a orientar decisões importantes dentro do canal.

Um dos símbolos dessa tentativa de diversificação foi a criação do “Melhor da Tarde”, com Cátia Fonseca, projeto que representou uma aposta mais clara em conteúdo leve, conversacional e de prestação de serviço no horário vespertino. A atração também funcionou como recado ao mercado publicitário de que a Band pretendia ampliar seu território de audiência, disputando atenção com formatos menos ancorados em nichos e mais alinhados ao entretenimento cotidiano.

Agora, com o retorno de Pendino, a expectativa interna é de que ele tenha autonomia para redesenhar a grade, revisar contratos e ajustar processos sob a lógica de eficiência de custos, ao mesmo tempo em que reposiciona a programação para reconectar a emissora com um público que se dispersou entre concorrentes e novas formas de consumo de conteúdo. O desafio, no entanto, é maior do que em ciclos anteriores: a TV aberta enfrenta uma transição acelerada, na qual o hábito do “ao vivo” convive com o imediatismo das redes sociais e com o catálogo permanente do streaming, exigindo decisões rápidas e identidade clara.

A volta do executivo é acompanhada de perto pelo mercado, que enxerga no movimento um sinal de postura mais assertiva da Band para 2026. O histórico recente de Pendino, especialmente pelos resultados obtidos na Argentina, funciona como credencial forte, mas a adaptação ao ambiente brasileiro — com sua competição intensa, mudanças de comportamento do público e pressões comerciais — será determinante para medir o alcance real dessa nova fase e para entender, nos próximos meses, quais serão as apostas concretas que a emissora pretende colocar no ar.

WhatsApp
Facebook
Twitter