Foto: Divulgação

Estreia: “Mestres do Universo”

Quando He-Man surgiu na televisão, ninguém exigia coerência. Bastava um príncipe de cabelos loiros, uma espada mágica, um vilão com cara de caveira e a promessa de que, em poucos minutos, o bem derrotaria o mal. Era simples, colorido, exagerado e absolutamente irresistível para quem cresceu nos anos 1980.

O novo “Mestres do Universo” compreende essa herança melhor do que muita gente imaginava. Em vez de tentar transformar He-Man num herói sombrio e atormentado, o diretor Travis Knight prefere abraçar a essência espalhafatosa da franquia. Eternia continua parecendo um delírio visual onde tudo é grande, barulhento e excessivo.

Nicholas Galitzine possui presença física suficiente para convencer como o lendário defensor do Castelo de Grayskull, enquanto Jared Leto interpreta um Esqueleto tão extravagante que parece ter escapado diretamente de uma convenção de cosplay milionária. Em vários momentos, o filme demonstra consciência do próprio ridículo e até brinca com isso.

O problema aparece quando a piada começa a se repetir.

A trama se estende muito além do necessário e transforma uma aventura que deveria ser leve numa experiência surpreendentemente cansativa. O que funcionava perfeitamente em episódios rápidos de desenho animado perde força quando precisa sustentar mais de duas horas de duração.

Existe diversão, sem dúvida. Algumas cenas de ação funcionam, os cenários impressionam e a direção de arte cria imagens que parecem capas de brinquedos antigos ganhando vida. Mas o roteiro gira em círculos, insistindo nas mesmas situações e nos mesmos conflitos até que o encanto inicial começa a desaparecer.

Curiosamente, os melhores momentos surgem quando o filme aceita seu lado mais cafona. Quanto mais se aproxima daquele espírito despretensioso dos anos 1980, mais simpático ele se torna. Quando tenta parecer grandioso e épico, tropeça na própria ambição.

“Mestres do Universo” vive exatamente nessa fronteira entre a aventura nostálgica e o trash involuntário. Não chega a ser ruim o bastante para provocar gargalhadas de constrangimento, nem bom o suficiente para justificar a expectativa criada em torno do retorno de um dos personagens mais populares da cultura pop.

No final, sobra a sensação de assistir a um enorme brinquedo em movimento. Bonito, caro, às vezes divertido, mas incapaz de esconder que nasceu de uma ideia extremamente simples.

Para os fãs mais nostálgicos, a viagem até Eternia tem seus encantos. Para os demais, a sensação é de que a força de Grayskull já não é exatamente a mesma.

Cotação: 2 estrelas — regular, com um pé no entretenimento nostálgico e outro no charme involuntário do trash.

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