Foto: Divulgação

Estreia: “Bob Esponja em busca da calça quadrada”

Depois de travar diante de uma montanha-russa e se sentir pequeno pela própria falta de coragem, Bob Esponja decide provar ao Sr. Sirigueijo que já “cresceu”. Ao lado de Patrick, ele aciona uma trombeta mágica que invoca o Holandês Voador, um pirata fantasma condenado a vagar até conseguir trocar de lugar com uma alma inocente. Seduzido por desafios “corsários” que prometem transformá-lo em herói, Bob embarca numa aventura que, sem perceber, pode custar sua própria pureza.

O quarto longa entende melhor do que os anteriores o material que tem nas mãos: “Bob Esponja” funciona como faísca, não como discurso. Quando o filme acompanha Bob e Patrick, a imaginação se solta, o nonsense escala com prazer e a lógica absurda vira linguagem, não enfeite. Nesses trechos, a franquia volta a soar viva, imprevisível, inventiva.

O problema aparece na estrutura partida: o bloco paralelo de resgate perde pulso, repete situações e cria um desnível de ritmo que a montagem não consegue disfarçar. A sensação de preenchimento surge justamente onde o filme precisava ser mais leve e veloz.

Visualmente, a direção encontra um caminho interessante. O CGI 3D evita realismo e também foge de truques para “parecer 2D”, buscando uma textura de brinquedo antigo, plástica e tátil. Em muitos momentos, é lindo. Em outros, a Fenda do Biquíni fica limpa demais, quase esterilizada. O longa ganha alma quando rompe o padrão com variações de estilo, inserções bidimensionais e soluções gráficas que devolvem surpresa.

O humor alterna inspiração e excesso: quando confia no absurdo, acerta; quando estica piadas, insiste em frases e recorre demais ao humor corporal, perde impacto e cansa. Apesar disso, o filme se sustenta por um mérito raro: há sinceridade no vínculo entre Bob e o Sr. Sirigueijo, um afeto que dá peso ao que poderia ser só correria.

No fim, é um bom filme, com brilho visual e momentos genuinamente engraçados, mas ainda preso à necessidade de repetir a velha prova de maturidade. Fica a impressão de que a franquia está perto do equilíbrio: falta apenas soltar a âncora e confiar que Bob Esponja não precisa se justificar l basta existir.

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