Judy Hopps e Nick Wilde, já firmados como dupla na polícia de Zootopia, entram numa investigação que bagunça a cidade quando aparece Gary De’Snake e o caso começa a crescer mais do que parecia no começo. Para chegar a alguma verdade, eles precisam agir infiltrados e circular por áreas novas do mapa e, no caminho, a parceria é colocada à prova de um jeito mais duro do que no primeiro filme. É uma aventura policial com ritmo de comédia realizada em animação.
Como cinema, o que funciona aqui é a troca de abordagem: o primeiro “Zootopia” era mais fábula com recado; este prefere o procedural; pistas, perseguição, reviravoltas, gente mentindo, gente encobrindo, e a cidade virando parte do suspense. A direção é muito competente em três coisas: clareza de espaço (você entende onde está e por que aquele lugar importa), tempo cômico (piada que nasce de reação, não de explicação) e montagem que conduz informação (o filme te dá migalhas na hora certa). Esse pacote segura o longa com folga.
O problema é que, quando você escolhe “investigação”, precisa bancar consequência. Em alguns trechos, “Zootopia 2” corre para a próxima situação — novo disfarce, novo bairro, nova cena grande — e isso encurta o peso dramático das decisões. A entrada do Gary é uma boa ideia porque muda o jogo simbólico da cidade (quem vira suspeito automático, como o medo se organiza), mas o roteiro às vezes pisa no freio para não deixar a tensão “sujar” demais a solução final. Ainda assim, é continuação acima da média: divertida, bem dirigida e com linguagem de gênero mais afiada do que a embalagem sugere.
E tem um fato que ajuda a medir o tamanho do fenômeno: o filme virou o maior faturamento da história do Walt Disney Animation Studios, passando “Frozen 2”, com cerca de US$ 1,46 bilhão no mundo, puxado por um desempenho enorme fora dos EUA (especialmente na China).



