Globo muda alto escalão após Copa e saída de executivos provoca debate sobre estratégia do Mundial

A Globo promoveu uma ampla mudança em seu alto escalão após uma Copa do Mundo marcada pelo avanço de concorrentes nas transmissões e pela perda da exclusividade que durante décadas esteve associada à emissora.

Entre os executivos que deixam a empresa está Manuel Belmar, responsável por áreas estratégicas como Finanças, Produtos Digitais, Jurídico e Infraestrutura. Nos bastidores, sua saída foi relacionada à estratégia adotada para os direitos do Mundial de 2026, segundo informações publicadas pela imprensa.

A decisão de não adquirir a totalidade das partidas abriu espaço para outras plataformas e emissoras ampliarem sua presença durante a competição. A CazéTV, que possuía acesso ao pacote completo por meio da LiveMode, ganhou protagonismo no ambiente digital, enquanto o SBT também participou das transmissões.

Belmar não é o único nome importante a deixar a companhia. Manuel Falcão, que comandava Marca e Comunicação, e Pedro Garcia, diretor de Aquisição de Direitos e profissional com 45 anos de trajetória no grupo, também encerram seus ciclos na Globo.

A emissora, entretanto, rejeita a interpretação de que as mudanças tenham ocorrido como punição pelo desempenho na Copa. Em comunicado, a empresa afirmou que a negociação dos direitos do Mundial foi definida pelo Conselho de Administração e não pode ser atribuída individualmente aos executivos.

Segundo a Globo, as saídas fazem parte de uma reorganização destinada a tornar sua estrutura mais integrada e adequada às transformações do mercado audiovisual, especialmente diante do crescimento das plataformas digitais e das novas formas de consumo de conteúdo.

A reformulação inclui a união das áreas de Distribuição e Direitos, que ficarão sob o comando de Fernando Ramos, além de mudanças na estrutura dedicada às plataformas digitais.

Independentemente das diferentes versões sobre as razões das saídas, a movimentação representa uma das alterações mais relevantes na cúpula da Globo nos últimos anos e ocorre justamente quando a disputa por grandes eventos esportivos deixou de ser concentrada na televisão tradicional e passou a envolver streaming, YouTube e novos grupos de mídia.

 

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