Foto: Divulgação

Morre Guto Graça Mello, arquiteto das trilhas que ajudaram a moldar a televisão brasileira

O produtor musical e diretor artístico Guto Graça Mello morreu nesta terça-feira (5), no Rio de Janeiro, aos 78 anos. Internado havia mais de um mês no Hospital Barra D’Or, na Barra da Tijuca, ele não resistiu a uma parada cardiorrespiratória após complicações decorrentes de uma queda.

Figura decisiva na construção da identidade musical da televisão brasileira, Guto ajudou a transformar trilhas sonoras de novelas em fenômenos culturais e comerciais. Seu trabalho atravessou mais de cinco décadas e deixou marcas profundas na TV Globo, na indústria fonográfica e na história da MPB.

O velório será realizado nesta quarta-feira (6), no Cemitério São João Batista, em Botafogo.

Nascido em 1948, no Rio, Augusto César Graça Mello cresceu cercado pela arte. Filho dos atores Stella Graça Mello e Octávio Graça Mello, iniciou o curso de arquitetura na UFRJ, mas abandonou a faculdade para seguir a música. Nos anos 1960, mergulhou na composição, estudou violão e integrou o grupo Vox Populi, chegando a se apresentar no exterior.

Sua trajetória na televisão começou em 1972, como produtor musical do programa “Viva Marília”, comandado por Marília Pêra. Pouco depois, assinaria sua primeira trilha de novela, “Cavalo de Aço”, ao lado de Nelson Motta.

A partir dali, construiu uma das carreiras mais influentes da música televisiva brasileira. Foi responsável pelas trilhas de novelas históricas como Gabriela, Pecado Capital, Saramandaia e Estúpido Cupido.

Em “Gabriela”, uniu Dorival Caymmi, Djavan e Jorge Amado em uma das aberturas mais emblemáticas da dramaturgia nacional. Já em “Pecado Capital”, montou praticamente toda a trilha em apenas três dias e encomendou a Pecado Capital a Paulinho da Viola poucas horas antes da estreia da novela.

Na Som Livre, onde chegou ao cargo de gerente-geral, teve papel central no fortalecimento do mercado de trilhas sonoras e no lançamento de artistas que mais tarde se tornariam gigantes da música brasileira. Participou diretamente da ascensão de nomes como Cazuza e Lulu Santos, além de produzir mais de 500 discos ao longo da carreira.

Entre os trabalhos mais populares está o primeiro álbum de Xuxa Meneghel, responsável por milhões de cópias vendidas. Também produziu discos de Rita Lee, Roberto Carlos e Maria Bethânia.

Além das novelas e discos, Guto Graça Mello assinou trilhas para mais de 30 filmes e compôs o tema de abertura do Fantástico, uma das melodias mais reconhecidas da televisão brasileira.

Perfeccionista e estrategista, costumava afirmar que seu grande prazer era descobrir artistas e usar a potência da televisão para ampliar a música brasileira. Mesmo após deixar a Globo e a Som Livre, em 1989, continuou produzindo discos, jingles e trilhas, mantendo-se atento às transformações da indústria que ajudou a construir.

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