Foto: Divulgação

Manoel Carlos morre aos 92 no Rio de Janeiro

Manoel Carlos, um dos autores mais influentes da história da televisão no país, morreu neste sábado (10), aos 92 anos, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pela família. A causa da morte não foi informada.

Conhecido como Maneco, ele estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, onde realizava tratamento contra a Doença de Parkinson. Segundo familiares, no último ano a condição comprometeu de forma mais intensa as funções motoras e cognitivas do autor. O velório será fechado, restrito a parentes e amigos próximos. Em nota, a família agradeceu as mensagens de carinho e pediu respeito à privacidade neste momento.

Nascido em 1933, em São Paulo, Manoel Carlos se considerava “carioca de coração” e fez do Rio — especialmente o Leblon — mais do que cenário: um território afetivo recorrente de suas histórias. Sua obra se notabilizou pelo retrato de conflitos íntimos, tensões familiares e dilemas cotidianos, quase sempre atravessados por temas sociais que ganharam repercussão nacional.

A marca mais reconhecível de sua dramaturgia, porém, foi a sequência de protagonistas batizadas de Helena, nome que se tornou assinatura do autor ao longo de décadas. De “Baila Comigo” (1981) a “Em Família” (2014), suas Helenas se tornaram símbolo de uma força feminina complexa, com virtudes e contradições, frequentemente colocadas diante de escolhas extremas em nome dos filhos e do amor.

Antes de se consagrar como novelista, Manoel Carlos iniciou a vida artística como ator, ainda adolescente, no teleteatro da TV Tupi. No início dos anos 1950, passou a escrever para a televisão e construiu uma trajetória por diversas emissoras, com experiência também como produtor e diretor. No Rio, chegou a adaptar mais de uma centena de teleteatros e participou de programas em diferentes formatos, em momentos decisivos da TV brasileira.

Na Globo, sua entrada ocorreu em 1972, como diretor-geral do “Fantástico”. Depois, consolidou-se como autor de novelas e adaptador de obras literárias, assinando títulos que atravessaram gerações. Entre os trabalhos mais lembrados estão “História de Amor” (1995), “Por Amor” (1997), “Laços de Família” (2000) e “Mulheres Apaixonadas” (2003), além das minisséries “Presença de Anita” (2001) e “Maysa – Quando Fala o Coração” (2009).

Em “Laços de Família”, uma cena se tornou emblemática na memória do público: a personagem Camila, vivida por Carolina Dieckmann, raspando o cabelo em meio ao tratamento contra o câncer — sequência que marcou a novela e ampliou o debate social sobre a doença. Já em “Viver a Vida” (2009), Manoel Carlos escalou Taís Araújo como sua primeira Helena negra, escolha que também teve impacto na conversa pública sobre representatividade.

Aposentado desde 2014, quando exibiu sua última novela, Manoel Carlos vivia recluso com a família. Ele deixa duas filhas, a atriz Júlia Almeida e a roteirista Maria Carolina, que colaborou com o pai em diferentes projetos. O autor também teve outros três filhos, que morreram em anos anteriores.

Ao longo de mais de meio século de produção, Maneco ajudou a definir o tom de uma dramaturgia que aproximou a novela do detalhe humano, da escuta do cotidiano e das dores privadas que se tornam públicas quando ganham a sala de estar do país. Com ele, o Brasil aprendeu — capítulo a capítulo — que uma família pode ser um universo inteiro e que, no centro desse universo, quase sempre há uma Helena tentando manter o mundo em pé.

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